domingo, 10 de maio de 2026


 


Mãe

quero sorvete

Quem sabe

amanhã

Mãe

quero quintal

Aguarda

amanhã

Mãe

quero respirar

Espera

amanhã

Mãe

quero correr

Retenha

amanhã

Mãe

quero emergir

Sufoca

amanhã

Mãe

quero me igualar

Observa

amanhã

Mãe

quero me socorrer

Conspira

amanhã

Mãe

quero reagir

Luta

amanhã

..........

Mãe

Hoje é amanhã?

 


 


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

NOITES INSONES


 

Acontece às três da manhã

de forças estranhas do mal

nas trevas se manifestarem?

Ligo não! Poetas se despem

de lamúrias, encaram acintes,

autodesafios e se enredam

no pertencimento da noite.

Não há mornidão que eu aceite

quando pressinto a poesia

neste meu ciclo biológico

atípico e desregulado.

O cheiro orvalhado espalhado

e o silêncio velado, me sustentam

e ressuscitam a leveza

que minha alma clama.

A rede antes da luz me divisa.

Desfadigada derramo o poema.

Um suspiro redentor

e me integro à aurora.

Vivificada e salva!


(O que eu busco nas madrugadas não se explica)


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

CAMPOS DE MORANGO



Contemplo-te

a incorporar deuses.

De que esferas?

Permito-me campo vasto

onde transferes a semente

da tua transformação.

Sensação sempre nova

de primeira vez.

Condutora de mensagens

entre neurônios que reagem,

estremece o estômago,

vibra vivente,

incessante e farta

tua emoção em mim.

Meu corpo inteiro

acompanha tua coragem

e se doa também,

arrepia, lacrimeja.

Ressuscito em tons.

Sintonia simbiótica

de cantantes, poetas,

refletores, espelhos

comungados

sem reservas.

Harmonizados em sons.

O que me excede

é o que te excede

e perdurará

na nova era.

E legaremos límpida

aos sobreviventes:

a densa energia

dos que sentem.